Solenidade de Pentecostes/Dom Abade Andre Martins

Solenidade de Pentecostes

09 de junho de 2019

            Caríssimos Irmãos e Irmãs:

           Jesus, antes de chegar a hora de passar deste mundo para o Pai, havia prometido o Paráclito aos seus discípulos para que pudessem dar continuidade à sua obra redentora. E assim, o Espírito Santo enviado pelo Pai e pelo Filho, presente na Igreja, anima a vida dos cristãos, dando-lhes a fortaleza da fé para não esmorecerem diante das dificuldades do tempo presente, não desanimarem no anúncio da Boa Nova do Reino e, se preciso for, derramarem seu sangue pela profissão de fé na Santíssima Trindade.

            O Espírito Santo que nós recebemos no Sacramento do Batismo e, depois, os seus Dons no Sacramento da Confirmação, nos torna aptos para participar da ressurreição do Cristo, abrindo as portas da misericórdia divina e reunindo os fiéis numa comunidade de pecadores perdoados que podem, com toda a propriedade, chamar a Deus de “Pai Nosso”.       

            Igualmente o Consolador, Dom da Páscoa do Cristo, impele a Igreja a ultrapassar os muros do medo, como estavam os Apóstolos trancafiados num mesmo lugar por temor dos judeus, para anunciar destemidamente a paz e a alegria de Deus à toda a humanidade.

            Também, o Defensor recorda constantemente a todos os membros da Igreja os ensinamentos do Senhor, abrindo-lhes o espírito, a inteligência e o coração para o verdadeiro sentido das Escrituras inspiradas e das Palavras de Jesus, protegendo-os de entendimentos contrários à Tradição Apostólica, que poderão levá-los a dividir o corpo Místico de Cristo em inúmeras assembleias, conforme o entendimento subjetivo de seus pastores e crentes.

            O Espírito do Ressuscitado difunde profusamente os seus múltiplos carismas entre os batizados para  o bem e benefício de todo o corpo que cresce no ritmo do cotidiano da existência humana.

            Do patíbulo do Salvador foram extintos o pecado e o mal. Entretanto, a luta entre o bem e o mal continua na terra e no coração de cada um de nós, porque os “desejos da carne” e os “desejos do espírito”  ainda não cessaram suas lutas. Este combate que não conhece tréguas nós o combatemos como homens livres e bem-amados, porque o Defensor protege-nos da sedução dos desejos que conduzem à morte.

       Correspondendo à sua missão outorgada pelo Cristo antes de sua Ascensão, a Igreja constroi-se como corpo de Cristo na unidade e impelida pelo Espírito pode anunciar o Evangelho à toda criatura pela força de sua pregação e do testemunho, como cantamos no Hino dos Domingos do Tempo Comum:

                   “Obediente à vossa Palavra,

por natureza enferma de amor,

não deixa nunca de pregar vosso Reino,

abrindo os braços convosco na cruz.”

       Prometido por Deus há muito tempo, o fogo do Espírito Santo consumiu e transformou repentinamente o coração dos Apóstolos. E não deixa de se difundir, discretamente, entre os fiéis, convertendo-os em testemunhas do Evangelho, e no mundo para que todos os homens sem distinção possam participar da salvação.

       Caríssimos irmãos, a Igreja subsiste porque é guiada, animada e santificada pelo Espírito do Resuscitado. Não seremos nós, seus membros, comumente inebriados pelo pecado e pelo mal que a destruiremos. Estará firme consolando e animando os fortes e perdoando, qual uma mãe repleta de ternura, os fracos e pecadores, e assim, continuará até o retorno glorioso do Senhor, porque ela é obra de Deus com a nossa participação.

       Abertos aos dons do Espírito Santo, estejamos comprometidos na edificação de uma Igreja santa, sendo ela sacramento admirável de salvação.

       Deus nos abençoe a todos!

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