Homilias, Quaresma, Textos › 20/04/2019

Quinta-feira santa/ceia do Senhor

Quinta-Feira Santa

Ceia do Senhor

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

Nos relatos dos evangelistas sobre a última Ceia há uma aparente contradição entre o Evangelho de São João e os demais, chamados Sinóticos.

           Conforme São João, Jesus morreu no altar da cruz exatamente no momento em que no Templo eram imolados os cordeiros pascais. Sendo assim, podemos concluir que Jesus morreu na vigília da Páscoa e, consequentemente, não pôde celebrar a ceia pascal como os Apóstolos.

Segundo os chamados Evangelhos Sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas – a última Ceia de Jesus foi um ceia pascal, em sua forma tradicional judaica. A novidade de sua celebração fora ter inserido a oferta de seu Corpo e Sangue. Até há alguns anos, esta contradição parecia ser sem solução.

       A maioria dos estudiosos – os exegetas – julgava que João não queria comunicar a verdadeira data histórica da morte do Senhor, escolhendo uma simbólica para tornar relevante a verdade de que Jesus era o novo e autêntico Cordeiro, que derramou seu Sangue por todos nós.

Graças às descobertas dos manuscritos dos monges de Qunram, chegaram os exegetas a um resultado plausível, com um alto grau de probabilidade. Assim, hoje pode-se dizer que a narrativa do evangelista João é historicamente correta.

     Jesus verdadeiramente derramou seu Sangue na cruz na Vigília da Páscoa, na exata hora da imolação dos cordeiros. No entanto, celebrou a Páscoa com seus discípulos segundo o calendário de Qunram, portanto, um dia antes Ele a celebrou sem o cordeiro, conforme Qunram, que não reconhecia o Templo de Herodes e estava à espera de um novo templo. Por conseguinte, Jesus celebrou a Páscoa sem o cordeiro, aliás, não sem o cordeiro: em seu lugar entregou-se a Si mesmo, o seu Corpo e o seu Sangue. Dessa forma, antecipou a sua morte de modo coerente com a sua Palavra: “Ninguém me tira a vida; sou Eu que a dou por Mim mesmo.”(Jo,10,18). Jesus cumpria realmente esta afirmação. Ele mesmo ofereceu a própria vida no momento em que oferecia aos discípulos seu Corpo e Sangue.

     A Igreja desde seus primórdios obedeceu ao seu mandato: “Fazei isto em memória de mim”. Logo, queridos irmãos e irmãs, é impensável e irrealizável a Igreja do Cristo sem o memorial de seu sacrifício na ara da Cruz, a celebração da eucaristia.

O Senhor da messe, não deixe de enviar operários à sua vinha, a Igreja, para que o povo de Deus não seja privado do Corpo e Sangue do Senhor, penhor de salvação eterna.

Deus nos abençoe a todos!