Artigos, Homilias, Monastica › 18/10/2019

Profissão Solene e Consagração Monacal Irs. Mauro e Jerônimo 12 de outubro de 2019

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

            Nesta festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nossos Irmãos Mauro e Jerônimo professarão solenemente seus Votos de Estabilidade, Conversão dos Costumes e Obediência e receberão a Consagração Monacal.

            Escolhemos com frequência esta data para a profissão de nossos irmãos contando com a intercessão de nossa Padroeira Nacional, a fim de que o monaquismo no Brasil cresça em número e qualidade de vida; para que monges e monjas de São Bento sejam efetivamente “fermento na massa”, “sal”, “a luz sobre o alqueire e a cidade sobre o monte.” Bem como todos os batizados e num espaço eclesial determinado – a vida monástica – são chamados a anunciar e colaborar para que o Reino de Deus chegue à plenitude nos corações dos homens, e assim possam eles edificar uma sociedade cujos valores evangélicos atuem em seus costumes, leis, subordinados e governantes.

            A Virgem Maria, aurora do Reino de Deus, pois trouxe em seu seio o Sol da Justiça, O gerou em seu ventre dando-Lhe sua carne e seu sangue para que assumisse nossa humanidade. Hoje imagem da Igreja – é para nós modelo e inspiração a continuarmos “gerando o Cristo” em nossos corações, por nossas palavras e ações; perpetuando no mundo sua presença santificadora, até seu glorioso retorno.

            Assim como a Filha de Sião ofereceu sua carne e seu sangue para o Verbo nos redimir no altar da cruz, assim também a Igreja que a tem como sua imagem, prolonga no tempo o sacrifício do Cristo dando-nos sacramentalmente seu Corpo e Sangue; “maná descido dos céus” nesta peregrinação rumo à Gloriosa Jerusalém.

            O monge será sempre um homem do Reino de Deus que o anuncia e o constroi, em colaboração com a graça, não em praça pública, mas na simplicidade de uma vida de Nazaré. Saibamos, um Mosteiro Beneditino tem muito da existência de Jesus e Maria em Nazaré: “ora et labora” na simplicidade de uma vida, nas relações humanas tecidas no tear do respeito e bondade, no sussurrar da brisa suave do seu cotidiano, na meditação dos prodígios de Deus em corações castos, na vida de continência de seus membros que não dividem seus corpos com ninguém, porque antecipam a vida dos anjos que estão diante do Trono do Cordeiro.

            Jesus foi obediente à sua Mãe escutando-a em todas as ocasiões, até mesmo numa festa de casamento. Assim também o monge. Por sua forma disciplinada de vida aprende a escutar sua Mãe Igreja que lhe diz, sobremaneira, na liturgia que celebra: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” E o Senhor lhe diz cotidianamente para não frustrar aqueles que prolongam no tempo as alegrias das Bodas do Cristo com sua Esposa, a Igreja, não deixando faltar aos convivas da festa, ou seja, aos batizados, o vinho de sua oração contínua, de sua intercessão, de seu louvor solene, de seu acolhimento, de seu trabalho manual, de seus estudos e pesquisas, de seus conhecimentos e de sua voz que clama no deserto “Vinde, Senhor Jesus!” Como insistimos sempre, é da natureza de um monge de São Bento ser um “maranatá vivente”. Sua forma de vida deve ser um out-door de que a “figura deste mundo passa” e que o Senhor retorna.

            Nossos Irs. Mauro e Jerônimo já vivem o ideal monástico de São Bento que se inicia com a palavra “Escuta”, a primeira de sua Regra. Hoje decidem-se perpetuamente a escutar a voz do Senhor que lhes fala de maneira contundente na liturgia do Mosteiro e sem morosidade encherem quantas talhas de água forem necessárias para que o Senhor as transforme em vinho novo; transforme sempre que necessário o seu ser pecador num transfigurado pecador perdoado.

            Ambos sabem que “A história celebrará os grandes homens, mas cada um foi grande pelo objeto de sua esperança: um engrandeceu-se na esperança de atingir o possível; um outro na esperança das coisas eternas, mas aquele que quis alcançar o impossível foi, de todos, o maior.”[1] Com a Profissão Solene e a Consagração Monacal os Irmãos Mauro e Jerônimo nos revelam o desejo de alcançar o impossível: serem verdadeiros homens do Reino Deus, autênticos servidores do Reino de Deus e sinais eloquentes de que o Reino de Deus já começou com o Mistério Pascal do Cristo, porém sem ter ainda alcançado a plenitude, mas avança para o dia que não conhecerá ocaso. Deus nos abençoe a to


[1] Kierkegaard S, Elogio  de Abraão.