Pedido para a Profissão Simples de Ir. José.

Pedido para a Profissão Simples

de Ir. José.

07 de junho de 2019

            Caríssimos Irmãos:

            Hoje nosso Ir. José pede aos Monges Capitulares para ser admitido à Profissão Simples. E o faz lembrado do que havia-nos solicitado, por ocasião de sua Investidura Monástica ao ser interrogado pelo Abade e respondido publicamente: “A misericórida de Deus e a vossa confraternidade”.

Ir.Jose

            Pediu-nos com tais palavras não apenas por estarem prescritas em nosso Ritual, mas também porque teve consciência de que, em nosso Mosteiro, será semelhante àquele homem do Evangelho, enfermo há trinta e oito anos e que aguardava a oportunidade para se atirar na piscina de Betesda, buscando asim obter a cura de seus males. Como claudicante, quando podia banhar-se, outros já passavam à sua frente. Entretanto, permanecia ali paciente e esperançoso de chegar a sua vez. Mas Jesus vendo-o pergunta-lhe se desejaria ser curado e este respondendo positivamente, obedece à ordem do Senhor de tomar seu leito e andar. [1] Assim o fez e ficou curado.

            Na vida monástica a misericórdia de Deus acontece normalmente pela mediação do abade e dos irmãos, cuja atuação se faz quando o monge a solicita e se abre à graça, porém nem sempre por palavras, às vezes apenas estando prostrado em sua enfermidade espiritual, psíquica, física ou moral. Entretanto, precisa se expor a Jesus que o visita, na pessoa do abade e dos irmãos. Quando se esconde da comunidade em sua fraqueza, seja por orgulho ou outro motivo qualquer, a misericórdia divina não encontra espaço para atuar. Então a paternidade e a fraternidade que o abade é chamado a constituir no Mosteiro torna-se impotente para carregar o irmão enfermo e lançá-lo na piscina das águas do perdão, da misericórdia, da ternura e do progresso da vida monástica e da fé.

            Por outro lado, o monge enfermo precisa ter a coragem de fazer a sua parte, tendo fé e quando curado, estar disposto a carregar o seu leito de desgraça depois de ter sido imerso nas águas da misericórdia de seu mosteiro, negando-se assim à  uma condição de um pobre coitadinho ou de um imprudente desgraçado.

            Nosso Ir. José ao fazer-nos o pedido para a Profissão Simples sabe – já por experiência desses anos vividos entre nós – que ora estará no lugar do enfermo ora se juntará aos demais irmãos para exercer misericórdia aos seus confrades quando doentes, cegos, coxos, mutilados e enfraquecidos por seus pecados e faltas. É, exatamente, dessa forma que se constitui uma vida monástica beneditina, onde ora os fortes são fracos e os fracos, fortes.

Dom Abade Andre..

            Mas para que essa dinânica de dar e receber misericórdia aconteça é preciso que todos vivam com empenho e honestidade a conversatio monastica do mosteiro. Uma comunidade de monges que não é fiel à oração litúrgica e pessoal, à lectio, ao trabalho, aos estudos, à alegria dos momentos de solidão e comunhão, dificilmente prestará atenção aos prostrados em seus leitos à beira da piscina de Betesda, ou seja, junto às águas da misericórdia e confraternidade que todo mosteiro deve possuir.             Deus, em sua infinita misericórdia, abençoe nosso Ir. José e a todos nós que desejamos viver nosso Batismo neste espaço eclesial, qual piscina de Betesda, junto à porta das Ovelhas por onde Jesus passou fazendo o bem, que é o Mosteiro da Ressurreição


[1] Jo, 5,1-9