Jubileu de Prata de D. Bento de Souza 20 de julho de 2019

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

            Hoje celebramos pela primeira vez neste espaço onde num futuro, espero não muito longínquo, termos nossa Igreja Abacial dedicada à Mãe da Divina Graça, por quem temos grande afeto filial.

            Vindos de São Paulo, com nossas mochilas mais cheias de ideais do que pertences pessoais, nos instalamos no Santuário da Mãe da Divina Graça no Parque Estadual de Vila Velha. Encontramos nesse local uma Capela, alguns cômodos atrás da mesma e nada mais. A Capela, praticamente vazia, tinha ao fundo a imagem da Virgem Santa que Dom Geraldo Michelleto Pellanda recebera de presente do papa Paulo VI. Com certeza, a única riqueza e proteção que possuíamos, pois havia acesso por todos os lados. Portanto, era essa imagem que nos olhava com sua maternal proteção. Com ela fizemos história, pois ouviu nossos louvores, nossos projetos monásticos, nossas lamentações, nossas crises, nosso desejo de não desistir dessa fundação do Mosteiro da Ressurreição. Sem dúvida alguma, com essa Mãe, mil vezes Admirável, fizemos e fazemos história.

            Por Providência Divina, viemos parar neste local abençoado por sua beleza podendo avistar ao longe o monumento de arenitos do Parque de Vila Velha. Praticamente podemos afirmar que voltamos ao mesmo local de origem da Fundação.

            A imagem da Virgem de Vila Velha tem uma carcterística que há em muitas da Santa Mãe de Deus. O Menino Deus, sustentado por seus braços, está com uma de suas mãozinhas tocando o seu delicado queixo.

            Não poderíamos imaginar que anos mais tarde o Menino Jesus continuaria tocando o queixo de sua Mãe para que ela se voltasse à sua direita e assim, continuasse contemplando seus filhos que se instalariam ao alcançe de seus olhos. Sob sua materna proteção, iniciamos a construção de nosso novo Mosteiro, neste espaço que confirma a Tradição Beneditina: “Benedictus montes amabat..”

            Hoje, com a graça do jubileu de nosso D. Bento, celebramos pela primeira vez neste local que será o lugar por excelência na vida dos monges; o lugar do Louvor Divino e da atualização do Sacrifício do Cordeiro Pascal, Jesus Cristo.

            Dos irmãos fundadores sobramos dois: D. Mateus e eu. D. Prior Rafael ainda ingressou com o antigo Prior e com D. Bento inaugurou-se a nova faze de nossa história, iniciada em 1991.

            D. Bento comemora seus 25 anos da fidelidade de Deus em chamá-lo para a vida monástica de nosso Mosteiro. Experimentou os momento difíceis e os grandes desafios do início desta nova fase de nossa vida. Descobriu uma verdade que a traz no coração: “O que compete a Deus, Ele faz; mas o que nos compete Ele não faz.”  E assim, colaborando, ou seja, fazendo a sua parte, deixou-se revestir da fortaleza, dom do Espírito Santo que Deus dispensa a seus amigos, para perseverar na Escola do Serviço do Senhor.

            Dentre tantos trabalhos com Deus, posso citar um que foi sempre marcante a D. Bento: a luta contra Golias.

            Em 11 de julho de 1994, na homilia de sua Primeira Profissão, comentava sobre a realidade de que todo batizado tem o gigante Golias para enfrentar como o fizera o jovem Davi. É uma luta sem tréguas ao longo da vida. Por conseguinte, como o jovem Davi, D. Bento teve em mão o cajado da oração, as Pedras Lisas que são a Palavra de Deus tiradas da torrente, o alforje para guardá-las em seu coração e a fulda para arrmessá-las na hora devida. Se D. Bento perseverou até hoje na via estreita do Evangelho em nossa comunidade, foi, com certeza, por ser um eficiente Davi e, com uma diferença do jovem filho de Jessé: D. Bento além do cajado da oração, das Pedras Lisas da Escrituras, do alforje que é seu coração e da fulda, instrumento para arremessar pedras contra todo Golias, teve continuamente nos lábios a oração mariana por excelência: “Ave Maria, cheia de Graça o Senhor é contigo”.

            Tenha a certeza, querido D. Bento, que neste momento o Menino Jesus continua segurando o queixo de sua Mãe movimentando-o para à direita, para que ela contemplando-o possa abençoá-lo como Mãe solícita e medianeira de todas as graças.

A Virgem, cheia de graça, nossos amigos, benfeitores, o clero de nossa Diocese juntamente com seu bispo, enfim, toda a nossa comunidade e aqueles que se confiam às nossas orações.

Deus nos abençoe a todos!