Artigos, Homilias, Monastica › 20/10/2019

Homilia do XXIX Domingo Tempo Comum/Dom Bento

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO C

Caros irmãos e irmãs, iniciarei a pregação de hoje, fazendo a mesma pergunta que fez Jesus ao concluir a parábola que acabamos de ouvir: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

Hoje, estamos vivendo tempos difíceis e dias dolorosos, onde a Igreja, juntamente com o Santo Padre e muitos dos seguidores de nosso Senhor, sofrem duras críticas e muitas recusas diante daquilo que ensina ou que prega, oportuna ou inoportunamente, como insiste São Paulo a Timóteo, conforme ouvimos na segunda leitura.

Temos que assumir com responsabilidade, que, a Igreja está sendo bombardeada porque se expôs, porque expressou o que pensa, através dos seus representantes, isso é verdade. Mas o que eu chamo a atenção é exatamente sobre a pergunta que Jesus fez, porque podemos perfeitamente direcionar essa pergunta para cada um de nós, sem olhar para aquele que está próximo ou distante de nós. Será que, de fato, tenho fé para permanecer fiel aos ensinamentos da Igreja, nessa espera de nosso Senhor, que pode chegar a qualquer momento?

É justamente dessa fé que eu gostaria de falar. A viúva importuna do nosso Evangelho, é uma mulher que insiste, porque é figura daqueles que tem fé. Ter fé, é manter vivo o justo desejo que trazemos no coração, insistindo com Deus, que é Pai, que escuta e que conhece os nossos anseios.

Infelizmente, perdemos muito tempo dando excessivo valor às notícias que nos chegam velozmente. Por termos pouca fé e por não buscarmos um pleno conhecimento da verdade, segundo Jesus Cristo e o Seu Evangelho, engrossamos nossas vozes, juntamente com a multidão alvoroçada, para continuar gritando a plenos pulmões um forte e audível: “Crucifica-O! Crucifica-O!”

Aí eu pergunto: de qual lado estamos? Tenho fé suficiente para acreditar na presença do Espírito Santo, que conduz a Igreja? Tenho fé suficiente para escutar a voz de Jesus, dizendo: “Tu és Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja?” Tenho fé suficiente para acreditar nas palavras de Jesus, quando disse: “As forças do inferno jamais prevalecerão sobre Ela” (a Igreja fundada por Ele sobre a rocha, que é Pedro)? Tenho fé suficiente para acreditar em Jesus, quando Ele disse: “Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo?”

Ou, simplesmente, para não parecer ridículo, eu me junto à multidão para atacar, condenar, denegrir ou justificar a minha inconsistência diante dos diversos desafios pelos quais estamos passando em nossos dias?

Somos sempre bem formados por aquilo que as vozes do mundo ditam como verdade, mas a verdade de Jesus Cristo nem de longe será semelhante a essas “psêudos verdades”. Essas nos afastam constantemente daquela Verdade, que é Jesus Cristo, e que só podemos encontrar na Sua palavra, nos Seus ensinamentos e nos ensinamentos da Igreja por Ele fundada.

A fé requerida por Jesus não nos isenta de dificuldades ou de pesadas cruzes. Somente podemos ser configurados a Ele, se pela fé, abraçarmos a nossa Cruz, mantendo a nossa fidelidade dentro da Igreja, embora, muitas vezes, tenhamos que enfrentar tempestades e ventos contrários, que nos atiram de um lado para o outro… Exatamente como naquela barca, figura da Igreja, quando os Apóstolos estavam quase sucumbindo e Jesus dormia tranquilamente, sem que os Seus se dessem conta de que estavam seguros, porque Ele estava ali.

Hoje, a Igreja celebra também o domingo dedicado à infância missionária. O Domingo das missões. Somos todos missionários desde o nosso batismo. Isso requer de nós, responsabilidade, que se aprende a ter desde a mais tenra idade, pois o que se aprende na infância, como a fé e os mais diversos valores para a vida cristã, servem de sustento para a nossa caminhada, como seguidores de Jesus Cristo e continuadores da Sua missão. Somos todos missionários e devemos anunciar a Verdade segundo o Evangelho, de modo que, oportuna e inoportunamente, sejamos reconhecidos pela nossa fé e pelo nosso testemunho autêntico de vida cristã na Igreja Católica.

Se somos batizados na Igreja Católica, Apostólica, Romana, amemos a nossa Igreja, porque aqueles que nos odeiam já são muitos! Não precisamos colaborar com o aumento desse número, pois são realmente numerosos! Nossos inúmeros mártires não deram suas vidas por uma mentira. Eles reafirmaram diante de seus algozes, toda a beleza da Verdade anunciada por Jesus Cristo, que foi crucificado e morto, sim, mas que ressuscitou e que está presente entre nós. Se temos fé nessa Verdade, outras mentiras, camufladas de verdades, jamais nos farão desistir de crescer na fé, viver, e, se preciso for, morrer para defender nossa Igreja, que é o Corpo Místico de Jesus Cristo.

Como nos ensinou a primeira leitura de hoje, devemos aprender a manter nossas mãos direcionadas para as alturas. Esta é a atitude do orante, aquele que, pela fé, mantém a confiança em Deus. Quando temos fé, confiamos que Deus mesmo assume a nossa causa e que Nele seremos vencedores. Mantenhamos o nosso coração e a nossa mente em Deus, pois, como cantamos tantas vezes nos Salmos: “Só em Deus minha alma tem repouso… Ele é o meu refúgio e salvação”.

Que a Santa Mãe de Deus, fiel depositária do mais belo e puro Amor, nos ensine a amar Seu Filho como Ela amou; que Ela nos ajude a manter a nossa fé, mesmo diante das mais terríveis situações sem esmorecer. E, que tomemos consciência de que somente “aquele que perseverar até o fim, receberá a cora da vitória”.