Artigos, Quaresma, Textos › 24/03/2019

Homilia do III domingo da quaresma/ Dom Bento

III DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – ANO C /Dom Bento de Souza Osb.

Caros irmãos e irmãs,

Estamos celebrando esse tempo tão propício para uma maior preparação neste caminho de subida para Jerusalém com nosso Senhor, que se antecipou nesse percurso e garantiu a todos nós, que temos fé, a experiência da vitória sobre a morte.

Na primeira leitura, Moisés fez a sua experiência de Deus, quando percebeu que a Sarça estava ardendo em chamas, mas não se consumia. A partir desse mistério que se apresenta diante da nossa vida, também nós podemos desejar a plenitude de tal conhecimento, como fez Moisés. Buscar o conhecimento da Verdade de Deus não é algo proibido, mas descobrir Deus como o Mistério que habita no mais íntimo do nosso ser é uma necessidade!

O Tempo da Quaresma nos dá exatamente essa possibilidade de buscar um maior conhecimento de tudo aquilo que Deus mesmo nos apresenta, naquela expectativa paciente que Ele tem para com cada um de nós. Deus é imensamente misericordioso e a Sua misericórdia se desenvolve na mais profunda paciência.

No exercício da paciência, Deus trabalha silenciosamente o nosso coração, para que possamos realmente fazer um belíssimo encontro do nosso coração com o Seu coração, fonte da mais pura misericórdia, onde o Seu amor se expande e nos toca profundamente, provocando em nós um desejo sincero de mudança de direção, uma conversão da nossa vida, da nossa pequenez, da nossa miséria, do nosso pouco empenho, uma transformação do nosso interior.

Esse Tempo de graças abundantes que a Igreja nos oferece anualmente, deve ser levado à sério! Ouvimos no Evangelho de hoje que um homem possuía uma figueira que há três anos não produzia fruto e que deveria ser arrancada e queimada. Antes, porém, o texto nos fala de dois momentos trágicos envolvendo pessoas, inocentes ou não, mas sempre pessoas amadas e queridas por Deus.

Jesus é muito claro que não eram pessoas nem mais nem menos pecadoras, mas que os justos e injustos, todos passarão pela mesma situação de morte. Ele mesmo vai enfrentar o sofrimento, a dor e a morte para nos mostrar o caminho a ser percorrido por todos nós que temos fé e que desejamos a Ele ser configurados.

Diante de uma tragédia ou de um infortúnio tendemos sempre a fazer conjurações e conjecturas, acusando os culpados e justificando os inocentes. É uma atitude injusta e imoral da nossa parte pensar que o mal deve ser pago com o mal, que os violentos devem ser combatidos com a mesma violência. Muitas vezes sentimos aquela grata satisfação quando sabemos que os culpados estão sendo punidos e condenados com o mesmo mal que infligiram aos outros. Isso demonstra a distância que ainda estamos diante do projeto de Deus, que enviou ao mundo o Seu único Filho para que todos fossem resgatados pelo Seu amor e pela Sua morte e ressurreição.

Deus tem paciência conosco, mas não podemos cruzar os braços e esperar que Ele faça o que compete a nós. Cada um deverá responder diante de Deus e buscar uma mudança verdadeira dos maus costumes para termos um coração semelhante ao de Jesus, que aceitou a Cruz e foi obediente ao Pai até à morte.

A figueira representa todo o povo de Israel, e, ao mesmo tempo, representa toda a humanidade! Hoje começa para cada um de nós um novo tempo de conversão. Hoje, eu, pessoalmente, devo procurar esse caminho de conversão para aquele momento do encontro definitivo com aquele que me amou primeiro.

A nossa conversão passa pela experiência do amor de Deus e da certeza de que Ele nos amou primeiro. Ele deu o primeiro passo, Ele nos chama pelo nome e nos conduz, carregados ao braço para nos mostrar o caminho da salvação. Não percamos tempo, porque a ninguém vem revelado o dia ou a hora desse encontro com nosso Senhor.

Que busquemos a cada dia a nossa conversão. Que permitamos a ação do Espírito Santo em nós, para que nos deixemos queimar como aquela Sarça, que se queimava sem se consumir, e assim possamos compreender mais profundamente as maravilhas que Deus deseja em nós realizar.

Que a Santa Mãe de Deus nos ajude a permanecer fiéis ao Evangelho, e, fortalecidos pelas palavras de Jesus, sejamos vitoriosos com Ele, que um dia nos dirá: “Vinde Benditos do meu Pai!”