Artigos, Homilias, Quaresma › 15/04/2019

Domingo de Ramos e da Paixão 14 de abril de 2019

Domingo de Ramos e da Paixão

14 de abril de 2019

 

        

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

No Evangelho de São Lucas a entrada de Jesus em Jerusalém é composta em parte segundo o modelo do rito de coroação com o qual Salomão foi revestido como herdeiro da realeza de Davi. Diz-nos o texto: “… o rei disse: “Tomai convosco os servos do vosso amo, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão e descei com ele a Gion. Lá, o sacerdote Sadoc e o profeta Natã o ungirão como rei de Israel. Tocareis, então, a trombeta e proclamareis: “Viva o rei Salomão!”. [1] “Assim a procissão dos Ramos é também uma procissão de Cristo Rei: nós professamos a realeza de Jesus Cristo, reconhecemos Jesus como o Filho de Davi, o verdadeiro Salomão o Rei da paz e da justiça.”  [2]

            Em liturgia atualizamos esse momento histórico da entrada do Cristo Rei de Israel na cidade Santa de Jerusalém. Entra o Senhor da glória para tomar posse do seu trono que é a Cruz.

Nós que prolongamos no tempo esse momento de salvação, perguntemo-nos se em nossa vida abrimos as portas para o Rei da glória entrar. Entra em nosso coração o Rei da glória?  Entra em nossa vida o Rei da glória para reinar? Cantamos “Hosanas” apenas ao Filho de Davi?

Queridos irmãos e irmãs, lamentavelmente podemos fazer dicotomia entre celebração e vida, gerando, assim, esquizofrenia espiritual. Somos dois em um. Podemos professar nossa fé quando em liturgia e, ulteriormente gestos, palavras e opções diferentes do que professamos em assembleia santa.

Dificilmente alguém conseguirá passar uma existência inteira sem abrir as portas de seu coração e de sua vida para outras pessoas entrarem e fazerem parte de sua existência. Isso porque o ser humano se define também por relações. O homem é um ser de e para relações com quem o circunda. Quando permite outra pessoa entrar em seu coração e em sua vida, estará aberto à comunhão. O ser humano é feito para a comunhão, assim como Deus Uno e Trino é comunhão de amor.

Se não soubermos ou não quisermos abrir as portas de nosso ser para o Cristo, Rei da glória, entrar e com Ele comungar do mesmo ideal de vida, ou seja, de tudo aquilo que celebramos em Igreja, com todos que passarem pela soleira das portas de nosso coração e de nossa existência não saberemos, seja com o convidado seja com o intruso, viver comunhão de vida, de fé e de verdadeiro amor. Se o Cristo Rei não toma posse de seu trono em nosso coração e em nossa vida, outros poderão tomar seu posto gerando paixão, escravidão, subserviência e sofrimento. Até exigirá de nós indevidos Hosanas, humilhando-nos em nossa condição humana.

O Rei da glória entrando em nosso coração e em nossa vida, deixa abertos nossos portais para outros entrarem, para fazerem parte de nossa vida.  Peçamos: Ele nos ajude na prudência do agir e sentir para ninguém assumir em nossa vida o seu lugar; Ele que é o único Rei a quem devemos obediência e submissão, que geram em nós verdadeira liberdade, humanização e divinização.

Deus nos abençoe a todos!

[1] 1Rs 1,33-35

[2][2] Bento XVI, Homilia, Pça de São Pedro, 01 e abril de 2007.