Homilias, Quaresma, Textos › 20/04/2019

Ação Litúrgica de 2019/Sexta-feira santa

Ação Litúrgica de 2019

 

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

Neste momento, por volta da Nona Hora, enquanto os sacerdotes sacrificavam os cordeiros no Templo para o povo celebrar a Páscoa ao cair do sol, o único e o verdadeiro Cordeiro, que tira o pecado do mundo, se entregava em oblação ao Pai no altar da cruz e fora dos muros de Jerusalém.

Fora sacrificado o Cristo fora da cidade de Davi porque sua entrega, como resgate do homem pecador, não poderia estar circunscrito aos filhos de Abraão e sim para todo o gênero humano. Veio o Senhor para salvar a todos, judeus ou gregos, escravos ou livres como nos fala ao São Paulo.[1]

Muitos que pelo Calvário passavam, meneavam a cabeça e seguiam adiante. Aquele espetáculo de horror não era inédito, cujos dominadores romanos propiciavam aos transeuntes que vinham celebrar a Páscoa na cidade santa. Com certeza homens, mulheres e crianças ficavam prostrados e humilhados por verem seus irmãos de sangue escarnecidos e sofrendo tão atroz e torturante morte. Entretanto, outros lá permaneciam na impotência do amor, chorando e lamentando-se por Aquele Homem, Jesus de Nazaré, que fizera tanto bem.

Entre poucos, estava ao pé da cruz Maria na solidão de seu amor, nas dores do martírio, pois a carne de sua carne estava pregada à cruz. Com certeza, com os olhos lavados pelas suas lágrimas pôde atingir com seu olhar materno não só o corpo dilacerado de seu Filho, mas o pulsar de seu coração. Quanta explosão de dor no coração dessa Mãe!

Inúmeras foram as obras de arte ao longo dos séculos que registraram esse momento de salvação do Cristo Jesus. Porém, nem todas foram escritas em ícones, pintadas em telas, afrescadas em paredes, vibradas nas vozes de líricos ou perpetuadas em poesias e tratados. O que nem sempre se registra ou registrou foi e é a morte de tantos inocentes, no ventre de suas mães, nos presídios, nas calamidades de guerras, nas torturas domiciliares e nacionais, enfim, a morte de todos aqueles que sempre prolongam no tempo as dores e a morte do Filho de Deus. São, porém, frequentemente expostos com sensacionalismo nos jornais, telejornais e redes sociais, quando há interesse social e político. Como que anestesiados, muitos de nós vemos as cenas e pouco nos comovemos, aceitando-os como uma realidade quase que indomável entre os homens em sua cultura de morte. Pouco podemos fazer, porém podemos não perder essa virtude da compaixão tão presente na vida do Cristo enquanto nesta terra passou fazendo o bem. Ou mesmo experimentar a impotência do amor que a Santa Virgem Mãe viveu ao pé da cruz.

Se de imediato estamos engessados diante de tanta criminalidade, podemos a partir de nossa compaixão para com os que sofrem e morrem inocentemente, denunciar as injustiças, conscientizar as pessoas do mal politicamente organizado, lutar contra toda e qualquer violência que já tem sua preliminar na vida familiar, escolar e social e, também, nos laboratórios de manipulação genética.

Seja a oração dos cristãos orientada para que a responsabilidade de todos diminua e extirpe a morte de tantos “cristos” pelo mundo afora.

A Rainha dos Mártires interceda por todos, quando insensíveis às dores e mortes de seus filhos adotivos, que ela os assumiu ao pé do altar da cruz.

Deus nos abençoe a todos!

 

 

[1] 1Cor 12,13