Vigília Pascal/Dom Abade Andre

Vigília Pascal de 2019

 

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

A celebração desta Noite Santa – atualiazando a Ressurreição do Cristo pelo rito que a Igreja realiza – foi organizada para que os catecúmenos recebecessem os Sacramentos da Iniciação Cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia – e, também, os já batizados renovar as promessas batismais.

E na Igreja Antiga, o catecúmeno antes de descer à piscina das águas lustrais, virava-se para o ocidente, símbolo das trevas, do pôr-do-sol, da morte e, portanto, do domínio do pecado e pronunciava uma tríplice negação ao diabo, às suas pompas e ao pecado. Pompas significava o fausto do diabo, indicava-se o esplendor do antigo culto dos deuses e do antigo teatro, onde a diversão era ver pessoas vivas sendo dilaceradas pelas feras. Portanto, este “não” era o repúdio de um tipo de cultura que acorrentava o homem à adoração do poder, ao mundo da cobiça, à mentira, à crueldade. Era uma ato de libertação da imposição de uma forma de vida que se apresentava como um “modus vivendi”. Esta renúncia constitui ainda hoje uma parte essencial do Batismo, ou seja, as obras da carne, enumeradas pelo Apóstolo na Epístola ao Gálatas:[1] fornicação, libertinagem, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a essas.

Em seguida, o batizando, na Igreja antiga, se virava para o oriente – símbolo da luz, do novo Sol da história, novo Sol que se levanta, símbolo do Cristo, determinando assim a nova direção de sua vida: a fé em Deus Trino. Depondo, pois, as vestes da carne é revestido com as veste da luz, optando pelos frutos do Espírito Santo: caridade, alegria, paz longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão continência.[2]

Nesta Noite Santa em que o Cristo venceu a morte, não temos entre nós catecúmenos para a Iniciação Cristã, portanto, nós batizados vamos renovar as promessas batismais e sermos aspergido com a água que foi abençoada para recordarmos nosso batismo.

Antes da aspersão, cada um de nós responderá na primeira pessoa do singular, ou seja, somente por si mesmo, a opção de renunciar ao demônio e às suas pompas e seduções. Com esse rito estamos, uma vez mais, optando para sermos homens e mulheres da Luz, do Oitavo Dia, daqueles que portam as vestes alvas seguindo o Cordeiro aonde Ele for. Entretanto, não somos apenas convidados a viver os valores morais enumerados por São Paulo, mas também, a professar nossa fé Apostólica, Católica e Romana. Por isso, solenemente professamos o Símbolo Apóstólico, que durante séculos era apenas proclamado nesta celebração e não aos domingos e solenidades.

           Nesta Noite Santa, celebrando a fé na Ressurreição do Cristo, destruímos toda uma mentalidade nada popular e muito acadêmica de estudiosos que levaram avante um discurso de tensão, rivalidade, dicotomia e de curto-circuito entre ortodoxia e ortopraxis. Para muitos, a ortopraxis é fundamental, em detrimento da ortodoxia. Nâo meus irmãos! Sem uma correta ortodoxia não podemos avaliar uma ortopraxis,  sendo ela cristã ou não. E mais, quantos mártires morreram por causa de sua ortodoxia, ou seja, defendendo sua fé católica.

          A graça desta celebração de nossa redenção nos faça cada vez mais destemidos em professar e assumir nossa fé que professamos em assembleia e que as palavras que professamos, com o auxílio da graça, nos leve a uma ortopraxis honesta e sincera, e se preciso for, por ela morrer, pois vivendo moralmente como verdadeiros cristãos, já experimentamos o mártirio desta vida, martírio inteligente e criativamente preparado por uma sociedade secular, onde Deus não existe.

Deus nos abençoe a todos!

 

[1] Gl 5,19

[2] Gl 5,22