Artigos, Homilias › 19/04/2017

Vigília Pascal de 2017

Vigília Pascal de 2017

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs:             

Deus, que tanto amou o mundo e nos deu seu Filho único como Cordeiro Pascal imolado no altar da cruz, ressuscita-O dos mortos. E, Cristo ressuscitado – vitorioso sobre a morte – é a manifestação do amor da Trindade Santa que se transborda para a criação.

Fomos, pois, criados para a eternidade, para a plena comunhão com o Altíssimo, para o júbilo que não conhecerá ocaso, para o louvor sem fim, para estarmos eternamente face-a-face com Deus e entre nós, em plenitude de amor. Para esse fim, Deus nos criou e em Cristo, pelo seu mistério pascal, nos recriou.

Com efeito, apenas na vivência da plenitude do amor poderemos contemplar a Luz Deífica, vibrar de incomensurável alegria, jamais interromper o louvor diante do Trono do Cordeiro, até então realizado pelos Anjos e nunca darmo-nos às costas uns aos outros. Seremos entre nós um face-a-face, olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, passos conjuntos, vozes uníssonas, corações harmonizados e lábios que se tocam transmitindo reciprocamente o hálito divino, aquele que Deus soprara para vivificar Adão, que Cristo soprara sobre os Apóstolos para transmitir-lhes o Espírito Vivificador e que seus sucessores no-lo transmitiram, chegando até nós através dos ministros do Sacramento da Ordem.

Na Jerusalém gloriosa seremos semelhantes ao Cristo Ressuscitado que está diante do Pai e do Espírito Santo, pois nosso velho homem será nova criatura, vivos para Deus, em Jesus Cristo. Ressuscitados com Cristo, não conheceremos mais a disparidade na intensidade do amor entre nós e Deus e entre nós humanos.

Hoje quem nos traz a Boa Nova dessa nova criação são Maria Madalena e a outra Maria, que de madrugada foram ao sepulcro. Obedientes às palavras do Anjo, correm a transmitir a notícia aos discípulos. Entretanto, não correm apenas, correm com grande alegria. Não é uma notícia qualquer!

Durante o trajeto, o próprio Senhor as encontra e dize-lhes: “Alegrai-vos”. Estão elas já rejubilando-se de alegria porque o velho mundo passou e já se inicia o novo até atingir sua plenitude onde não haverá mais choro nem gritos nem dor alguma e nem a ausência do Amado e dos amados.

O novo mundo que se inaugura com o Ressuscitado incita à prostração, foi o que elas fizeram. Esse mundo novo implanta no coração dos que crêem uma nova realidade: o destemor. Não ter medo será a característica dos que crêem e proclamam a ressurreição do Senhor Jesus. O temor de Deus e o medo dos homens serão completamente substituídos pelo amor.

     Caros irmãos e irmãs, para quem batizado com Cristo e revestido de sua divindade, a disparidade na intensidade do amor existente entre os homens e Deus e entre nós humanos tem contagem regressiva, fadada a desaparecer, pois o Senhor nos deixou seu Evangelho como um roteiro de vida, confiou a ministros de sua Igreja seus gestos salvíficos pelos Sacramentos e pela efusão do Espírito Santo, com seus dons derramados em nossos corações, já podemos, sem medo, com alegria e prostrados em adoração antecipar a vida futura, ainda não em plenitude, onde lá estaremos a contemplar a Luz Deífica, a vibrar de incomensurável alegria, a jamais interromper o louvor diante do Trono do Cordeiro e nunca mais darmo-nos às costas uns para os outros. Seremos entre nós um face-a-face, olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, passos conjuntos, vozes uníssonas, corações harmonizados, lábios que se tocam transmitindo o casto amor. Seremos semelhantes ao Cristo Ressuscitado que está diante do Pai e do Espírito Santo, pois nosso velho homem será nova criatura, vivos para Deus, em Jesus Cristo.

Peçamos ao Senhor que não nos abandone quando resistentes ao seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, atrasando, assim, o processo de exclusão da disparidade na intensidade da vivência do amor entre nós e Deus e entre nós homens e mulheres.

A parábola sobre o Reino dos céus[1] que Jesus conta aos seus sobre um rei que celebrou as núpcias do seu filho e que, durante a festa encontra um homem sem a veste nupcial, elucida a realidade que temos insistido: quem não estiver devidamente revestido com a veste nupcial, ou seja, com a disparidade na intensidade do amor inexistente, não poderá participar do festim eterno. Na glória eterna, todos nós estaremos em plenitude do amor.

A Eucaristia que celebramos já antecipa em sacramento o banquete da Jerusalém gloriosa, no qual, apenas aqueles que durante a peregrinação nesta terra quiseram e se deixaram conduzir pelo amor de Deus, poderão tomar seus lugares, pois a disparidade na intensidade do amor não será mais uma realidade.

Deus nos abençoe a todos

[1] Mt 22,1-14