Artigos, Homilias › 14/10/2018

Profissão Sole dos Irs. Roberto e Paulo

Profissão Sole dos Irs. Roberto e Paulo

12 de outubro de 2018

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

Há um ditado popular que reza: “Caiu na rede é peixe!”

Hoje celebramos a Solenidade de nossa padroeira, N.S. Aparecida, cuja imagem fora encontrada por pescadores no rio Parnaíba, enquanto trabalhavam. Uma imagem que caiu na rede, mas que não é peixe.

Entretanto, os primeiros cristãos utilizaram a figura do peixe para expressar sua fé em Cristo. Em grego, a palavra peixe é ICHTHYS, e os cristãos compuseram com cada letra um acróstico: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.

O peixe, portanto – um símbolo visível – tinha a função de identificar aqueles que professavam a mesma fé e, também, como lembrança aos cristãos de quem haviam eles depositado toda a sua esperança e salvação.

Encontrava-se a figura do peixe nas catacumbas, nos objetos de culto, em sarcófagos e em objetos de uso pessoal. Quem o contemplava era remetido a Cristo. Essa era sua única finalidade: levar à memória e à adesão ao Cristo Salvador.

A imagem da Virgem de Aparecida tem a mesma função do ICHTHYS usado na antiguidade. Contemplando-a, somos remetidos ao seu Filho Jesus Cristo. Venerando-a, nós nos lembramos de que, ainda muito jovem essa mulher teve a consistente fé para aceitar uma missão singular na história da salvação: ser a mãe de Jesus.

Maria, preparada desde toda a eternidade para a divina maternidade, num momento de sua história se deixou “cair nas divinas redes do Altíssimo” e hoje gloriosa se encontra à direita do Filho.

Todos nós, um dia, caímos nas divinas redes, quando sepultados nas águas do batismo. Fomos “pescados” para ocupar um lugar na Igreja e termos uma específica missão.

Algumas pessoas, após haverem sido pescadas nas águas do batismo, foram posteriormente colocadas no altar do matrimônio, outras, no altar da vida monástica e terceiras, ainda, em demais altares da Igreja.

Caros irmãos e irmãs, neste momento, nossos irmãos, que caíram nas divinas redes nas águas do batismo, aceitaram ocupar um lugar na Igreja: a vida monástica deste mosteiro.

O que fazem, então, nossos irmãos Roberto e Paulo neste lugar?

Pelas mãos do Divino Pescador, ao longo de sua existência, deixar-se-ão unificar em todo o seu ser, pois trazem as marcas e as consequências da ruptura do pecado original. Assim como na imagem da Virgem de Aparecida, que teve de ser colada a cabeça ao corpo – porque quebrada – assim também nossos irmãos se deixarão unificar em todo o seu ser, com o “adesivo da graça”, que é dispensado pelos sacramentos e pela caridade de seu abade e de seus irmãos.

Ao longo da vida, quando fragmentados pelo pecado, serão pelas mãos de Deus – sempre pela mediação da Igreja – novamente restaurados.

Para que essa reparação aconteça, é preciso a total deliberação deles. Então, na Igreja, surge uma Escola do serviço do Senhor, instituída por São Bento: o Mosteiro. Existe para algumas pessoas que também desejam e querem aprender a se deixar restaurar pela graça.

Essa deliberação do monge para ser mantida carece de uma pedagogia de vida, que o mosteiro oferece através dos três votos que proferem publicamente: estabilidade, conversão dos costumes e obediência.

Além dos votos, nossos irmãos receberão a consagração monacal e, assim, para sempre, serão um sinal, em meio ao povo, de que esperam o Senhor, e que, enquanto O aguardam, são pela sua misericórdia, restaurados do estrago que o pecado provoca em nós.

Caríssimos Irmãos Roberto e Paulo, ao longo de suas vidas, neste mosteiro, não se cansem de se deixar restaurar pela graça, pois Deus escolhe alguns batizados para viver neste espaço eclesial, não por seus méritos, mas porque cada um precisa estar em seu devido lugar na Igreja do Cristo.

Que a Virgem de Aparecida, que em sua natureza imaculada de toda a mancha original, interceda por todos nós!

Deus nos abençoe a todos!