Artigos, Homilias › 01/08/2017

Profissão simples do Irmãos Daniel e Tiago

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

          Nesta memória dos Santos Hospedeiros do Senhor, nossos Irmãos Daniel e Tiago emitem seus votos monásticos temporários.

Uma data para a Profissão Monástica privilegiada, pois São Bento – fiel à Tradição de seus Maiores – dá suma importância aos hóspedes e peregrinos que batem à porta do Mosteiro, porque são eles o Cristo que vêm ao encontro de toda a comunidade; é Cristo que a visita de forma sacramental.

O Evangelho proclamado nos relata a visita do Senhor em casa de seus amigos num situação de dor, diferente de outras, onde Ele pôde corrigir Marta por sua agitação e incentivar Maria por ter escolhido a melhor parte: escutá-Lo.

Lázaro tinha acabado de falecer. Marta, ao saber da chegada de Jesus, corre ao seu encontro. Maria, ao contrário, continuou sentada em casa. Marta reclama a ausência do Senhor; Maria, nenhuma palavra.

Como eram diferentes as duas irmãs; como reagiam de maneira diversa diante de situações da vida. No entanto, viviam juntas e, com certeza, uma completava a outra para que a vida acontecesse.

Assim é uma comunidade de monges. É feita de Martas e Marias. Uns impulsivos em suas paixões e sentimentos. Outros, tranquilos, fleumáticos ou inertes diante dos apelos da existência. Uns com iniciativas para resolver questões, outros esperam que sejam resolvidas, mas não por eles; preferem ficar sentados.

Podemos julgar quem é melhor ou pior; quem é mais comprometido e quem não o é?  Quem sofre os dilemas da vida e quem os vive em indiferença?  Não, não podemos julgar! Apenas constatamos que uma comunidade monástica é semelhante a essas duas irmãs. Na diferença se completam; com a diferença têm oportunidade de viver o amor; pela diferença assumem que ninguém se basta para existir. É, de fato, um desafio viver em comum! A vida comunitária ou familiar nos revela sempre nossos limites e nossa plenitude; revela sempre qume somos!.

Contudo, o Senhor continua visitando nosso Mosteiro ora na alegria ora na dor e sem aviso prévio, assim como os Anjos junto ao carvalho de Mambré onde Abraão estava. Uma outra vez, é esperado como as irmãs esperavam Jesus porque sofriam a perda do irmão.

Certo é que o Senhor sempre vem nos visitar. Entretanto, percebemos sua chegada? Constatamos sua visita? Temos olhos da fé para contemplá-Lo entre nós? Apenas com visão sacramental podemos experimentar e usufruir de sua visita.

O monge numa escola, que é o Mosteiro, se submete a uma disciplina de vida, que chamamos de “conversatio morum”, um dos votos monásticos que profere. A finalidade deste voto é preparar o monge para não só receber o Cristo na presença do hóspede que chega, mas também para não expulsar o Divino Hóspede de seu coração: o Espírito Santo.

Se o monge expulsa o Espírito Santo de seu coração, e a Igreja nos diz que o fazemos pelo pecado, não será capaz da escuta profunda, de inclinar o ouvido do coração para, assim, discernir qual é a vontade de Deus para vivê-la e, consequentemente, incapaz do bem da obediência. E, por fim, privado da presença do Espírito Santo em seu peito, irá vaguear, através de suas fantasias, em busca do lugar ideal, da comunidade ideal, do abade ideal, da fraternidade ideal, sem jamais assumir o real de sua e da vida de seu mosteiro. A sabedoria consiste, exatamente, em viver o real sem perder o ideal e a dinãmica para conquistá-lo. O amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, estabiliza o monge no seguimento de Cristo onde se encontra: os claustros de seu mosteiro.

        Nosso Irmãos Daniel e Tiago, com a proteção dos Santos Hospedeiros, hoje emitirão seus primeiros votos. Que jamais se esqueçam: quem não é capaz de se ocupar com o Divino Hóspede, o Espírito Santo, não será capaz, igualmente, de receber o Cristo que vem ao encontro de seus amigos.

Os votos monásticos, caros Irs. Daniel e Tiago, os ajudem a viver com fé essa dimensão do cristianismo: acolher a todos como o próprio Cristo, como nos aconselha São Bento:  “Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: “Fui hóspede e me recebestes”. (Cap. 53,1)

Deus nos abençoe a todos!