História do Mosteiro

fundadores-001-251x300“…a vida monástica nunca nasce de geração espontânea…”.

Só monges geram monges, assim como só cristãos geram cristãos. Nenhum cristão chegou sozinho à fé em Jesus Cristo: essa fé, de algum modo, foi anunciada por outros e nós a ela aderimos. É da Igreja que recebemos a fé. Não nos batizamos a nós mesmos, mas recebemos o batismo pelas mãos de outros ministros da Igreja. Analogamente, nenhum monge se autoproclama monge, mas é revestido do estado monástico. Recebemos o hábito das mãos de um “pai” que, na Igreja, nos gera para a vida monástica. O Mosteiro da Ressurreição não nasceu do nada; ele é herdeiro e protagonista de uma Tradição viva. Os fundadores vieram todos do Mosteiro de São Bento de São Paulo, onde nasceram para a vida monástica.

A fundação deveria ser mais no sul do país, onde a vida monástica era quase desconhecida. O primeiro bispo a se interessar e se comprometer seriamente foi o passionista D. Geraldo Pellanda, então bispo de Ponta Grossa, por isso a escolha desta diocese. O mosteiro, que seria dedicado à Ressurreição do Senhor, teve início no santuário mariano de Vila Velha, ao lado do famoso ponto turístico da cidade e em terreno pertencente ao Estado do Paraná, cedido em comodato à Cúria diocesana. Assim a Mãe de Deus, ali invocada com o título de Mãe da Divina Graça, acolheu e abençoou a fundação desde o primeiro dia. Em junho de 1981, 9 monges vieram de São Paulo para Ponta Grossa, sendo um professo solene e sacerdote, quatro professos temporários, quatro noviços e um postulante. D. Lucas, que estava à frente do grupo, chegou dois meses depois. A comunidade viveu no santuário de Vila Velha entre 1981 e 1985 em situação muito precária. À pequena Igreja do santuário foi acrescentado um mosteiro, construído em madeira pedida de esmola a várias madeireiras. Faltava praticamente tudo, menos a caridade dos religiosos, particularmente as religiosas, bem como de leigos que auxiliaram a comunidade com doação de alimentos. Quando se decidiu abrir a pequena fábrica de velas, ganhamos as primeiras máquinas de D. Abade Joaquim Zamith, abade do Mosteiro de São Paulo. Nos primeiros anos havia total incerteza quanto ao futuro. Além da pobreza aflitiva, a situação canônica era apenas provisória. Quanto aos trabalhos, fazia-se de tudo, apesar do desconhecimento técnico dos fundadores.

Com o dinheiro proveniente de uma instituição europeia, acrescido de uma ajuda das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, foi possível em agosto de 1983 comprar sete alqueires de terra a doze quilômetros da cidade. No ano seguinte foi iniciada a construção do Mosteiro atual e a comunidade teve que ser dividida, permanecendo um grupo no novo terreno e o outro em Vila Velha. Em agosto de 1985, com a inauguração das 16 primeiras celas, os dois grupos voltaram a se planejados reunir. Em 18 de outubro de 1984 o Mosteiro foi erigido canonicamente como Priorado Simples, sob a jurisdição do Abade Presidente da congregação Beneditina do Brasil, D. Basílio Penido, OSB. Na Solenidade de São Bento de 1987, o Mosteiro foi erigido em Priorado Conventual, sendo D. Lucas instituído Prior em 12 de agosto, cargo que ocupou até março de 1991, quando apresentou sua renúncia. No dia 17 de abril do mesmo ano, D. André Martins foi eleito Prior Conventual e a história do Mosteiro entrou em uma nova fase, na qual ainda vive, ou seja, de aprofundamento de seu próprio lugar na Igreja como uma comunidade monástica de orientação contemplativa. Em 21 de agosto de 1997, por Decreto da Santa Sé, o Mosteiro foi elevado à condição de Abadia. Em 5 de setembro, D. André Martins foi eleito primeiro Abade, recebendo a Bênção Abacial no dia 30 de novembro, festa de Santo André, pelas mãos de D. Murilo Krieger, atual Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, então Arcebispo de Maringá e antigo Bispo de Ponta Grossa, cuja Sede estava vacante naquele momento.

O Mosteiro da Ressurreição foi fundado em uma região rural unicamente porque quis acentuar o ambiente de silêncio e recolhimento próprio de qualquer vida monástica. Não nasceu a guisa de negação do monarquismo urbano, já que tal ambiente pode e deve existir também nos Mosteiros citadinos. Qualquer atividade do Mosteiro é voltada para o bem da Igreja e do Reino e, seu valor, maior ou menor, é apenas aquele que Deus lhe atribui e que só d’Ele é conhecido.

Nosso Mosteiro não exerce atividades pastorais “externas” permanentes, não por acreditar que sejam incompatíveis com o estado monástico, mas para acentuar o caráter contemplativo da comunidade e a fim de oferecer aos hóspedes e visitantes um espaço de silencio e de contato com a natureza, tão propício à paz e à oração. Por isso, em razão do crescimento da cidade de Ponta Grossa, com a zona urbana se aproximando do Mosteiro, foi adquirido há alguns anos um terreno maior e mais afastado, no distrito rural de Itaiacoca, havendo o projeto de construção de um novo Mosteiro e de transladação da comunidade.

Resumindo, o Mosteiro da Ressurreição é uma comunidade de monges que, militando sob a Regra de São Bento, entendida em seu sentido mais antigo – abertura à Tradição monástica em sua totalidade – procura em fraternidade servir a Deus e à Igreja, proporcionando a todos os seus membros o espaço de crescimento espiritual que necessitam, sabendo que o Senhor Jesus “não veio chama os justos, mas sim os pecadores à conversão” (Lc 5, 32). É o que são os monges de Ponta Grossa: pecadores que pedem misericórdia e querem se converter, com a graça de Deus que nunca lhes faltou.

Dom Mateus de Salles Penteado