“Houve um varão de vida venerável, Bento tanto pela graça quanto pelo nome”. (São Gregório Magno).

Houve um homem… Assim começa a narração do prólogo dos “Diálogos”, legado deixado pelo Papa São Gregório. É uma verdadeira fonte sobre os acontecimentos da vida de São Bento. Todo o relato da vida e dos milagres desse santo se encontra disponível no segundo livro de São Gregório; não se trata, porém, de uma biografia no sentido moderno do termo, senão de uma catequese. Era costumeiro no período que os ensinamentos cristãos fossem transmitidos por meio de narrativas sobre a vida dos santos; por conseguinte, a intenção de Gregório, ao escrever sobre Bento, foi a de edificar e de inspirar o rebanho que lhe fora confiado.

Com base nas informações gregorianas, São Bento nasceu por volta de 480 na província de Núrsia – Itália; era de uma família da alta nobreza e teve sólida formação. À sua disposição, estavam os meios necessários para uma carreira brilhante de nobre romano; havendo-se, todavia, decepcionado com a decadência da cidade, abandonou a capital, retirando-se para Enfide.

O primeiro passo foi instalar-se em uma gruta de difícil acesso em Subiaco, a fim de viver como um eremita. Nessa etapa, foi ajudado por um monge chamado Romano. Viveu na caverna durante três anos em extrema solidão e firme dedicação à oração e ao sacrifício.

A vida solitária foi interrompida apenas quando aceitou o convite de uns monges de Vicovaro e tornou-se, então, Mestre espiritual.

A originalidade da vocação de São Bento reside no fato de, desde novo, ter o escopo de agradar somente a Deus; por isso São Gregório o apresenta como modelo de santo: o homem que foge da tentação para levar uma vida de atenção à presença de Deus. Foi um homem que abandonou definitivamente um mundo degenerado para “viver esse amor filial”, sempre atento em “agradar somente a Deus”.

Uma característica importante do venerável monge e que deve ser memorizada pelos que quiserem familiarizar-se com o pensamento e com a alma de São Bento é, no dizer de São Gregório: “Através de um esquema equilibrado de oração e de trabalho, em seu lema ”ora et labora” – descrito na regra de vida elaborada por ele – não ensinou outra coisa senão o que ele mesmo vivera, foi “notável pelo seu espírito de discernimento”.

No tocante à sua morte, relata-se que estava consciente, pois sabia a hora de sua partida, de sorte que, seis dias antes de sua morte, mandou preparar o túmulo. São Bento morreu como o Cristo: na cruz. De pé e de braços abertos, exalou seu último suspiro. Os irmãos que assistiram à morte dele sustentaram-no como se houvessem sustentado a cruz de Cristo.

Ir. Eduardo, OSB