Quem não sabe permanecer sozinho, tema a comunidade!

setembro 2nd, 2009

«A vós, ó Deus, no recolhimento sobe o louvor em Sião» (Sl 64,2); Muitos buscam a comunhão por medo da solidão. Assim como não sabem permanecer sozinhos, são empurrados para o meio das pessoas. Também os cristãos que não conseguem resolver seus problemas, esperam encontrar ajuda através da comunhão com os outros. Frequentemente, depois, ficam desiludidos e atribuem à comunidade aquilo que é sua própria culpa. A comunidade cristã não é um sanatório para o espírito; quem, para fugir de si mesmo, entra na comunidade, abusa pelas fofocas e distrações, mesmo que estas possam parecer ter um caráter mais ou menos espiritual. Na realidade, ele não busca de fato a comunhão, mas a embriaguês que lhe possa fazer esquecer, por um momento, a sua solidão, e exatamente desta maneira cria a solidão mortal do homem. O resultado de semelhantes tentativas de cura são a desagregação da Palavra e de todo tipo de experiência real e, enfim, o desânimo e a morte espiritual.
«Quem não sabe permanecer sozinho, tema a comunidade». De fato, ele trará somente grandes danos a si e à comunidade. Sozinho te encontraste diante de Deus quando Ele te chamou, sozinho tiveste que seguir o seu chamado, sozinho tomaste a tua cruz sobre teus ombros, sozinho na luta e na oração, e sozinho morrerás e prestarás contas a Deus. Não podes escapar de ti mesmo; de fato, foi Deus quem te escolheu. Se não queres permanecer sozinho, rejeita a vocação dirigida a ti por Cristo, e não participes da comunhão dos eleitos. «Somos todos destinados a morrer e nenhum poderá morrer pelo outro, mas cada um deverá lutar pessoalmente por si com a morte… e eu não estarei contigo, nem tu comigo» (Lutero).
Mas, vale também o contrário: «Quem não sabe viver na comunidade, cuidado com o ficar sozinho». Foste chamado à comunidade, a vocação não foi dirigida somente a ti; na comunidade dos eleitos carrega a tua cruz, luta e reza com eles. Não estás sozinho nem mesmo na morte, e no juízo universal, serás somente um membro da grande comunidade de Jesus Cristo. Se desprezas a comunhão com os irmãos, e rejeitas o chamado de Jesus Cristo, então a tua solidão somente pode te trazer o mal. «Se devo morrer, não estou sozinho na morte, se sofro, eles (a comunidade) sofrem comigo» (Lutero). Reconheçamos que podemos permanecer sozinhos, somente se estamos inseridos na comunidade dos fiéis, e somente aquele que é só, pode viver em comunidade. Ambas as coisas vão juntas. Somente na comunidade aprendemos a viver como se deve, e somente sendo sozinhos aprendemos estar bem na comunidade. Uma coisa não precede à outra: ambas começam juntas, isto é, com o chamado de Jesus Cristo. Cada uma das duas, tomadas em si, coloca-nos diante de profundos abismos e de graves perigos. Quem deseja a comunhão sem solidão precipita-se na vaidade das palavras e dos sentimentos; quem busca a solidão sem a comunidade perece no abismo da vaidade, no enjôo de si mesmo e no desespero.
Quem não sabe ficar sozinho, tema a comunidade. Quem não é inserido na comunidade, tema a solidão.
Dietrich Bonhoeffer, La vita comune, Brescia 1969, 119-121.

Adélia Prado fala da Beleza e da Arte

agosto 28th, 2009

Adélia Prado fala da arte e da beleza

Adélia Pradro fala da Beleza e da Arte


Neste pequeno vídeo de 9 minutos, a grande Adélia fala da beleza, muito diferente da “boniteza”, como algo essencial, além da matéria. Sem dúvida nenhuma uma reflexão que nos orienta neste caos de opiniões, onde predomina o “gosto” pessoal e subjetivo, a racionalização da feiúra, a terapia ocupacional do artista e não o melhor de seu ser. A autora das poesias que tanto consolam nossa alma no seu voo no tempo, ajuda-nos a entrar nas raízes desta vida divina que é a Beleza. No mesmo site do youtube é possível encontrar as outras partes deste belíssimo discurso, que vale à pena escutar e ver.

John Henry Newman (1801-1890) Mudar sempre!

agosto 11th, 2009

John Henry Newman

Sobre sua tumba, pela própria vontade do mesmo cardeal Newman, foi escrito: “Ex umbris et imaginibus in veritate”: “Das sombras e dos símbolos, na verdade”. Toda a vida de John Henry Newman é um longo percurso interior de busca da verdade através da beleza, sobretudo na mente e no coração do homem. Para Newman, mudar é necessário, seja para a vida física, seja para aquela psicológica, como para a espiritual: «O crescimento é a única expressão da vida». Enquanto o seu caminho de homem, de cristão e de pastor se encaminhava para seu término, depois de ter conhecido várias etapas de inteligência e escolhas, ele mesmo diz, em tom quase resignado: «É certamente diferente em um mundo superior, mas, aqui embaixo, viver é mudar e, para sermos perfeitos, é necessário ter mudado muitas vezes». Esta palavra diz muito bem a verdade de sua vida, mas talvez ainda melhor, a consciência que este cardeal - amado por muitos, mas contrastado por outros - teve de seu percurso existencial. John Henry Newman, primeiro de seis irmãos, nasceu em Londres em 21 de fevereiro de 1801. Seu pai era banqueiro e sua mãe - Jemina Foundrinier - era descendente de huguenotes imigrantes da França, depois da revogação do edito de Nantes. Em 1808 entrou na escola de Ealing, onde recebeu uma educação elevada e manifestou a sua notável inteligência. Neste período, sob o influxo do pastor calvinista Walter Maser, amadureceu sua fé orientada pelos princípios protestantes e convencido que o papa fosse o anticristo. Em 1817 entra no Trinity College de Oxford, onde obteve o título de «Bachelor of Arts» e em 1822 foi eleito «fellow» do Oriel College. Em 13 de junho de 1824 foi ordenado diácono na Igreja anglicana, e tornou-se coadjutor na paróquia de St. Clement em Oxford. Em 29 de maio foi ordenado sacerdote anglicano. Nos anos sucessivos, trabalha muito no âmbito universitário, onde sua pregação é muito apreciada pelos estudantes. Em 1832, realiza uma longa viagem pela Europa meridional, visitando Roma, Malta, Corfú e a Sicília. Retornando a Inglaterra, aderiu, a partir de 1833, ao Movimento de Oxford, que conduziu a sua gradual aproximação da Igreja católica, com o doloroso afastamento da Igreja anglicana, e, em 1842, retirou-se, com alguns amigos, em Littlemore, onde se dedicou à realização de sua obra mais célebre: “Essay on Developement of Christian Doctrine”, e amadureceu sua passagem para o catolicismo. Em 1846, em Roma, com outros companheiros, decide entrar na Congregação do Oratório de São Felipe Neri, pedindo ao papa a permissão de fundar um em Birmingham, o que acontece depois de sua ordenação sacerdotal em Roma, dia 2 de fevereiro de 1848. Em 1854, Newman é nomeado reitor da Universidade Católica de Dublin. Em 12 de maio de 1879, foi criado cardeal pelo papa Leão XIII, que reconheceu, de tal modo, o seu «gênio e doutrina». O neo cardeal escolheu como moto «cor ad cor loquitur» para indicar que o seu desejo sempre foi aquele de viver relações cordiais e plenas de doçura. Depois de alguns anos de crescente fraqueza, celebrou a sua última missa em público no dia de Natal de 1889, e morreu no recolhimento de seu quarto no dia 11 de agosto de 1890, depois de ter experimentado e oferecido com fé, tantos sofrimentos e incompreensões, suspeitas e oposições, mas, sobretudo, depois de ter tido a coragem de «mudar muito».

(Fra Michel Davide Semeraro OSB)

Oração de Newman

Conduze-me,

Generosa Luz,

em meio à obscuridade que me rodeia.

Conduze-me a Ti!

A noite é toda trevas

e estou muito distante de casa.

Conduze-me a Ti!

Guarda meus pés;

Não peço para ver

A cena distante

-um passo é o bastante para mim.

in “The Pillar of the Cloud”

Oração para o XIX domingo do tempo comum

agosto 10th, 2009

Eucaristia e o Fogo

“Fogo e Espírito no ventre de tua mãe?
Fogo e Espírito no rio em que fostes batizado?
Fogo e Espírito em nosso batismo,
No pão e no cálice, fogo e Espírito Santo.
Em teu pão está oculto o Espírito que não comemos?
Em teu vinho habita o fogo que não podemos beber?
O Espírito em teu pão, o fogo em teu vinho,
Maravilha singular que nossos lábios receberam.

(S. Efrém, Hino de Fide, VI, 17; X, 8)

Olá Visitante!

junho 8th, 2009

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