Artigos, Homilias › 02/07/2017

Aniversário da Fundação do Mosteiro/30 de junho de 2017.

Aniversário da Fundação do Mosteiro

30 de junho de 2017

 

 

Caríssimos Irmãos:

Hoje comemoramos 36 anos de fundação de nosso Mosteiro.

Um dia especial para nós, em cuja Eucaristia – celebrada em ação de Graças por tantos benefícios a nós concedidos – os Professos Simples e Solenes renovarão os votos monásticos circundando o altar. Uma devoção que nos ajuda a manter a nossa palavra, que foi proclamada em assembleia solene e publicamente, a Deus e à Igreja.

Nós professos renovaremos os votos de coração alegre e generoso, na responsabilidade de quem sabe o quanto o homem de nosso tempo precisa constatar a existência de mártires do compromisso, da perseverança, da fidelidade, do perpétuo, e, porque não dizer, do martírio do absurdo: professar votos que jamais serão verdadeira e plenamente vividos. Então, devemos nos perguntar: por que proferi-los, se sabemos de nossa inconsistência em cumpri-los?

Veio-me ao coração a palavra de Jesus: 28Quem de vós, com efeito, querendo construir uma torre, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com que terminar? 29Não aconteça que, tendo colocado o alicerce e não sendo capaz de acabar, todos os que virem comecem a caçoar dele, dizendo: 30‘Esse homem começou a construir e não pôde acabar!’ 31Ou ainda, qual o rei que, partindo para guerrear com um outro rei, primeiro não se senta para examinar se, com dez mil homens, poderá confrontar-se com aquele que vem contra ele com vinte mil? [1]

Somos uns incapacitados contrutores de torres ou displicentes reis que se preparam para a guerra?

Não há na existência humana nada que se faça em plenitude, sem falhas, tropeços e contradições. Toda essa realidade, nada mais é do que a consequência do pecado de nossos velhos pais. Porém, pelo Batismo, fomos perdoados da mácula original, mas ficaram suas sequelas. Por esse Sacramento da Iniciação Cristã, tornamo-nos filhos da Igreja e, como tais, temos o direito de receber de Deus o perdão dos pecados cometidos, através do Sacramento da Reconciliação. E não só, como membros da Igreja temos acesso à Eucaristia que é remédio para os pecadores, como reza uma oração própria do presbítero que a preside: “Senhor Jesus Cristo, o vosso Corpo e o vosso Sangue, que vou receber, não se tornem causa de juízo e condenação; mas, por vossa bondade, sejam sustento e remédio para minha vida.”

Se a lógica da plena capacidade em viver os votos é exigência para proferi-los, então não haveria monges; não haveria, igualmente, cristãos, pois nunca alcançariam em plenitude e total coerência a vida exigida pelo Evangelho. Em suma, não haveria, em última instância, a Igreja, que é comunidade de santos e pecadores e não comunidade de puros, como se auto definem muitas seitas cristãs.

Acredito que os santos monges foram aqueles que viveram seus votos a exemplo de nossas casas barrocas brasileiras, bem contruídas, concluídas e de beleza inigualável, porém sem eiras e nem beiras; incompletas no acidental.

Somos, queridos irmãos, aqueles que precisam de médico; porque doentes, os beneficiários da misericórdia divina, mais valiosa do que os sacrifícios cultuais. Jesus veio chamar, não os justos, mas os pecadores; nós membros dessa comunidade de São Bento somos esses seus convidados.

Entretanto, não podemos nos acomodar em nossa condição de fracos e pecadores. São Bento, inspirado por Deus, constituiu uma Escola do Serviço do Senhor, um espaço eclesial, para que possamos trabalhar com os Intrumentos das Boas Obras que ele os enumera em número de 74. Estamos aqui para utilizá-los; graça de Deus a nós concedidos e com empenho de nossa parte.

Para nós que hoje vamos renovar nossos votos monásticos, o último deles é essencial para perseverarmos no serviço do Senhor: “nunca desesperar da misericórdia de Deus”

O Senhor que nos chamou a viver em seus átrios, com os irmãos que Ele, em sua benevolência nos concede, nos ajude a completar em nós a obra começada. Peçamos, com o Salmista: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!”, ou seja, este Mosteiro da Ressurreição e cada um de seus monges.

Deus nos abençoe a todos!

[1] Lc 14,29-31